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História

A origem das Terras

A região de Foz do Iguaçu foi descoberta em 1542, através da expedição colonizadora de Alvarez Nuñez Cabeza de Vaca, capitão espanhol, que juntamente com toda a sua expedição foi guiado por índios guaranis. A expedição partiu do litoral de Santa Catarina em direção a Assunção, atravessando todo o Estado do Paraná no sentido leste-oeste até as encostas do rio Paraná, tendo então se deparado com as Cataratas do Iguaçu, na oportunidade batizadas como Cachoeira de Santa Maria.

Assim, o que se deduz é que a colonização da região deu-se em duas etapas distintas. A primeira delas teve início em 1888 e foi marcada pela instalação da Colônia Militar do Iguaçu, o primeiro e mais representativo ato que caracterizou a presença do mundo civilizado. Além de marcar o território que era acirradamente disputado por portugueses e espanhóis, a missão da colônia, fundada então pelos espanhóis, era tomar posse da região e conter o avanço dos portugueses.

A segunda etapa da colonização começou somente em 14 de março de 1914, quando foi criado o município do Iguassu, instalado em 10 de junho daquele mesmo ano. A partir daí começaram a chegar os colonizadores, principalmente imigrantes europeus, na sua maioria alemães e italianos, que asseguravam sua fonte de renda através da produção de erva-mate e do corte de madeira, as duas principais atividades econômicas da época. Ao sair de suas regiões em busca de uma vida melhor para si e seus filhos, o caminho percorrido por esses pioneiros chegava sempre em Foz do Iguaçu.

Início da Colonização

Explorações e Conquistas

As primeiras observações sobre a história do município perderam-se no tempo e na imperfeição dos registros históricos específicos. Os primórdios do “interesse histórico”, se é que se pode assim denominar o registro da chegada dos primeiros colonizadores, datam da década de 40. O que se sabe é que no início, argentinos e paraguaios exploravam a madeira de lei, igualando as condições de exploração como a de qualquer outra região do Oeste do Paraná anteriores à colonização.

Porém, se compararmos o início da exploração portuguesa e espanhola na região (1531), com o início da colonização do município, vamos concluir que este está em recente processo de ocupação. Nos registros encontrados, consta que na década de 40, quando as terras desta região pertenciam ao município de Foz do Iguaçu, uma empresa inglesa comandava a exploração de madeira, utilizando mão-de-obra argentina e paraguaia. A madeira mais valiosa era o cedro, encontrado em abundância na região.

Esses homens uniam as toras formando balsas e desciam o Rio Paraná, com destino a Buenos Aires, na Argentina. Érico Francisco Prunner foi designado a comandar uma equipe de paraguaios e argentinos para abrir uma estrada, a mais ou menos uns cinquenta quilômetros da cidade de Foz do Iguaçu, ligando-a ao Leste do Paraná. Até então, só era conhecida a Estrada Velha de Guarapuava, que margeava o município na divisa com o Parque Nacional do Iguaçu.

A derradeira linha de ocupação, deu-se através da iniciativa organizada empresarialmente por grupos exploradores, um deles liderado por Alfredo Paschoal Ruaro, que tinha experiência de exploração em cidades como Maripá, Céu Azul, Toledo e outras do Oeste do Paraná. Em 1948, a empresa instalou no local a Colonizadora Pinho e Terras Ltda, empresa esta que abrangia grandes áreas dos atuais municípios entre Cascavel e Foz do Iguaçu.

Esta colonizadora abriu um núcleo chamado Colonizadora Gaúcha Ltda. Este núcleo colonizador formou-se na sua maioria por pessoas vindas do Rio Grande do Sul. Portanto, as famílias Ruaro e Dalcanalle não podem ser consideradas colonizadoras por não explorarem a região como colonos, pois tinham objetivos e interesses que não os de simplesmente se fixar para colonizar, mas podem ser citados como pioneiros no sentido de exploração. Quanto à primeira família que se instalou no local como colonizadora, com o objetivo de habitar como colono, constam nos registros a de Vitório de Toni. Porém muitas outras famílias chegaram para colonizar a região e não há registros específicos sobre elas.

Os primeiros sócios da colonizadora Gaúcha Ltda foram Arlindo Mosé Cavalca, Alberto Dalcanale, Luiz Dalcanale, Benvenuto Verona e Alfredo Paschoal Ruaro. Em 1949 foram seus diretores Benvenuto Verona e Luiz Dalcanale Filho, ambos já falecidos. Luiz Dalcanale Filho, posteriormente deixou o cargo, assumindo Frederico Zilio. Em 1953 houve mudança de direção, que passou a ser exercida por Henrique Ghellere e Afonso Marin.

A colonizadora Gaúcha comprou uma área de terras de 9.073 alqueires de João Emílio Matte. Anteriormente à colonização, as terras do município pertenciam a Foz do Iguaçu, que também estava em poder do Banco da Província do Rio Grande do Sul, Companhia de Viação e Comércio, Caixa Econômica Federal e União Popular de Venâncio Ayres.

Os mapas projetados no período de 1948 à 1954 constavam de 907 colônias que eram loteadas e medidas em alqueires, por engenheiros como Adolpho Strabel e Hercílio Felipe e os topógrafos João Félix Rolin de Moura, José de Moura Torres, Marciano Batista, Leodato Fernandes e Euclides Felipe. O engenheiro Hercílio Felipe não conseguiu concluir seu trabalho, atacado por uma cobra, veio a falecer logo a seguir, pois não havia soro antiofídico suficiente e outros recursos no local. O trabalho de divisão e lotamento das colônias de terras foi concluído pelo engenheiro Anísio Paim da Rocha.

Quanto aos caminhos que traziam os novos moradores e colonizadores, eram picadas abertas na mata e só em 1951 foi improvisada uma estrada ligando Cascavel à Foz do Iguaçu. Em 1953, com o aumento da procura por terras para cultivo, uma estrada federal cortou o município de Leste a Oeste. Com ela veio o progresso e um maior desenvolvimento da região. Esta estrada seguia o mesmo traçado da atual BR 277, com pequenas alterações.

Ao relatar fatos da vida cotidiana, muitos aspectos e fatos precisam ser resgatados ou recuperados, fatos até então presos a dados relativos aos grandes homens. Muitas famílias que colonizaram o município deixaram seus lares e sua terra à procura de melhores condições de vida, em busca de terras férteis e inexploradas. É de lamentar que muitos destes rostos continuarão no anonimato, perante o registro de uma história fragmentada e nem sempre justa, onde ainda prevalecem os heróis.

Daí uma observação: as várias formas de registrar a história de São Miguel do Iguaçu, diferenciam-se através de várias óticas, porém sem perder de vista o fato em si. Justamente por isto que a história não é, mas está sempre e sempre sendo construída e reconstruída, não sendo fato pronto e acabado. Foi em 21 de Fevereiro de 1949 a fundação da Colonizadora Gaúcha Ltda, dando início ao processo de medição e demarcação das colônias que formavam o então território da Fazenda São Miguel, posteriormente denominada Vila Gaúcha.

Em 1950 deu-se o início efetivo da colonização, com a chegada da família de Vitório De Toni, a primeira a aqui se estabelecer com o objetivo de explorar e cultivar a terra. Em 1951 foi aberta uma estrada, ainda precária, ligando os municípios de Cascavel e Foz do Iguaçu, com novo traçado, passando pela Vila Gaúcha.

Foi no dia 14 de novembro de 1953, a instalação da Agência dos Correios e Telégrafos, tendo como funcionária a Sra. Elisa Vera, substituída depois por Elsa Colla Corbari. Ainda em 1953 surge a primeira casa comercial pertencente à família Rotava, denominada “Casa Comercial Oeste Paranaense”.

Como grande marco progressista surge a primeira escola, no interior da capela, mantida pela prefeitura de Foz do Iguaçu. Após muitas lutas, em 1955 foi conseguida a construção de uma escola com duas salas de aula, onde sucessivamente o número de alunos aumentava. As primeiras professoras foram a Sra. Adélia Smaha, vinda de Foz do Iguaçu e a Sra. Dimas Lemos Raycik.

Em 1955 foi eleito o primeiro vereador representante da Vila Gaúcha, Sr. Henrique Ghellere. Foi instalado o primeiro cartório, tendo como primeiro cartorário o Sr. Aidicir Ghellere. O primeiro registro de nascimento foi feito no dia 1º de Novembro daquele ano, de Eli Ghellere.

Construiu-se também o primeiro hospital, que teve como médico o Dr. Robert Anton Babnigg, de nacionalidade alemã, que permaneceu de maio de 1.956 até a chegada de um outro médico, Dr. Rubens Borges Goulart, formado pela faculdade de Medicina de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Foram aos poucos surgindo indústrias de madeira, olarias e comércio em geral. A capela de São Miguel, que até então pertencia à Igreja de Medianeira, em 1958 passou a ser paróquia. No dia 06 de fevereiro de 1958 a vila com o nome de Gaúcha foi elevada à categoria de distrito administrativo e judiciário de Foz do Iguaçu, pela Lei nº 3.550 e pelo Decreto nº 282 de 03 de novembro de 1959, o então prefeito de Foz do Iguaçu, Jacob A. Becker, nomeou o Sr. Flávio Ghellere para subprefeito.

Em 25 de janeiro de 1961, o distrito de Gaúcha foi emancipado, de acordo com a Lei Estadual nº 4.338 e desmembrado de Foz do Iguaçu. Em 03 de outubro do mesmo ano foram realizadas eleições para Prefeito e vereadores, recaindo a escolha de Abel Bez Batti, para Prefeito e Francisco Kantorski, Hilário J. Colla, André A. Maggi, Arlindo Mosé Cavalca, Noé Nunes de Medeiros, Flávio Ghellere, João Maria da Rocha, Ângelo Malgarezzi e Hugo Mensch, para vereadores. No dia 28 de novembro de 1961, com a posse dos eleitos, foi instalado oficialmente o município, com o nome de SÃO MIGUEL DO IGUAÇU.

Origem do Nome: São Miguel do Iguaçu

Versão Lendária

A região era habitada por povos hostis que saqueavam e roubavam das famílias que aqui se fixavam. Numa noite de lua cheia, enquanto uma família dava graças pelas ótimas colheitas, fruto do trabalho, os saqueadores apareceram levando tudo o que encontraram. Um cavaleiro chamado Miguel, que por ali passava, montando um cavalo branco, sacou seu facão e afugentou o bando.

A família correu para agradecer a ajuda, mas não encontrou mais o cavaleiro, só vendo o brilho de seu cavalo por entre as árvores da floresta, dirigindo-se para o Rio Iguaçu. Alguns o idolatram como santo e acreditam ter vindo dali o nome São Miguel do Iguaçu.

Versão Oficial

A denominação São Miguel do Iguaçu origina-se do fato de ser o santo o padroeiro do município e ser a área originariamente denominada “Fazenda São Miguel”. À este nome, para diferenciá-lo de outras localidades e facilitar sua localização, foi acrescido o nome de um acidente geográfico próximo, o Rio Iguaçu e também por ter o mesmo grande parte de sua área limitando com uma das maiores áreas de preservação ambiental, o Parque Nacional do Iguaçu.

Imaginário e Cotidiano dos Colonizadores

É rica a fonte informativa de crenças, costumes e tradições que povoavam o imaginário e acompanhavam os colonizadores que aqui se instalaram na década de 50, pois convergiam de várias regiões do Brasil e mais especificamente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Contam os colonizadores que saiam de seu Estado de origem em busca de melhores condições de vida para si e seus familiares. Tinham sonhos, perspectivas e entusiamo para lutar e construir uma vida nova e um futuro promissor.

Geralmente os homens vinham na frente para conhecer as terras e observando a terra nova, entusiasmados, voltavam para buscar as famílias. As mudanças eram transportadas por caminhões e por homens que tinham a função de transportar essas mudanças. Um dos primeiros a exercer essa atividade foi João Ghellere, que trouxe mais de oitenta mudanças do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Na mudança, sobre os caminhões, além dos móveis e utensílios vinham também as famílias, trazendo consigo, sementes de trigo, milho e feijão e mudas de árvores frutíferas. A maioria não trazia gado nem aves. Estes, mais tarde, eram trazidos pelos caminhões, que vez por outra iam até Guaraniaçu ou Cascavel.

Contam os transportadores de mudanças que quando chovia a viagem podia demorar mais de vinte dias. Durante a viagem, tanto motoristas como as famílias abrigavam-se em pensões em Nova Laranjeiras, Guaraniaçu, Rocinha, Catanduvas e Cascavel. Para chegar até onde hoje é São Miguel do Iguaçu, entravam em Céu Azul, na Estrada Velha, vinham costeando o Parque Nacional do Iguaçu, chegavam em Foz do Iguaçu e de lá, por uma picada, até o destino final, a Gaúcha da época.

Os caminhões só eram abastecidos no Paraguai ou Argentina, locais mais próximos para encontrar combustível, depois de Cascavel. Ao chegar, as famílias encontravam muitas dificuldades, algumas compravam um pedaço de terras da Colonizadora Gaúcha, outras vinham para trabalhar como arrendatários ou empregados.

A maior dificuldade enfrentada foi a falta de transporte, o que preocupava muito, principalmente em casos de doença. O maior temor dos pioneiros era o sofrimento de ataques constantes de cobras venenosas, principalmente cascavéis e urutus e como não existia soro antiofídico no local e, se existia era pouco, com a dificuldade de deslocamento, muitas vezes ocorria a perda de órgãos e em alguns casos, a morte. Animais ferozes também existiam e era comum ouvi-los à noite nas matas próximas ou rondando as casas em busca de alimentos.

Nenhum dos entrevistados esqueceu dos mosquitos conhecidos como “borrachudo” e “pólvora”. – “Era um inferno. Para trabalhar era preciso vestir mangas longas e até meias e aí o calor era insuportável. Até para comer era preciso fazer fumaça embaixo da mesa. A fumacinha era uma grande ajuda também quando se ia tirar leite, porque senão nem a vaca parava…”.

Outra dificuldade sentida era a falta de gêneros alimentícios e de primeira necessidade. Alimentos e remédios, os moradores buscavam em Foz do Iguaçu e, na sua maioria, na Argentina. A alimentação básica trazida pelos pioneiros consistia em feijão, arroz e farinhas. Outros mantimentos como açúcar, queijo, banha e café eram trazidos do vizinho país.

Após algum tempo podiam contar com a mandioca, o milho, a batata, o arroz, o café, que cultivavam na propriedade, para subsistência, e também com o palmito, encontrado com facilidade na mata. Por ser uma região ainda selvagem, era comum o abate de algum tipo de caça. Os animais preferidos eram o veado, a paca, a anta, o porco-do-mato, o tateto, o tatu e algumas aves como o jacu, a jacutinga e pombas. Os rios eram limpos e apresentavam uma grande quantidade e variedade de peixes. A vestimenta era bem tradicional, ou seja, distinguia-se bem uma roupa de festa das demais roupas. Geralmente vestidos ou saias abaixo dos joelhos para as mulheres. Para os homens a roupa era um pouco mais social, como calças de tergal e paletó, ou camisa de mangas longas. O chapéu também era parte da vestimenta.

Às mulheres cabia os afazeres domésticos como limpar a casa, lavar as roupas, cuidar das crianças, preparar refeições, tirar leite das vacas, tratar da criação e costurar, além de acompanhar o esposo no preparo da terra, no plantio e nas colheiras. As famílias contavam com a ajuda dos filhos, nos serviços gerais e talvez tenha sido este um dos motivos do rápido desenvolvimento do município e do crescimento populacional: quanto mais filhos, mais mão-de-obra e, em conseqüência, maior atividade agrícola, uma das principais fontes econômicas na época.

As mulheres lavavam as roupas da família na “bica”, como chamavam os riozinhos, onde reuniam-se nos dias de sol. Estas mulheres eram bastante unidas, visitavam-se freqüentemente, principalmente aos domingos à tarde, quando reuniam-se para o chimarrão. Um nascimento era motivo de visitas acompanhadas de muito auxílio à parturiente. Um batizado era comemorado com festas. A valorização das pessoas e a solidariedade eram muito grandes.

A religião predominante era a Católica e por isso os moradores uniram-se e construíram uma igrejinha onde realizavam os cultos dominicais. De vez em quando vinha um padre, que além de rezar a missa, realizava os batizados e casamentos. As diversões eram poucas e consistiam-se, principalmente em visitas, alguma festa, baile ou jogo de futebol. Para os homens restava ainda a prática das caçadas e pescarias, que, aliás, foram muito importantes no início da colonização, pois garantiam à comunidade o consumo de carne, uma vez que não existiam criações e o pouco gado existente era utilizado para o trabalho. Carne de gado só era encontrada em um açougue em Foz do Iguaçu, distante cinqüenta quilômetros, por picadas na mata. Equipes de caçadores garantiam o fornecimento de caça, carne para consumo na época.

De acordo com alguns entrevistados, apesar das dificuldades encontradas, homem e mulher lutavam lado a lado com planos traçados e objetivos comuns. Não desistiam facilmente dos projetos nem do casamento. A mulher recebia uma educação na família para seguir o marido e lutar ao seu lado onde quer que esse fosse, enfrentando qualquer dificuldade. O ânimo e o entusiasmo de construir um futuro melhor é que as impulsionava e todas são unânimes em afirmar que não existia depressão.

A análise de dados obtidos junto ao Cartório do Registro Civil mostra que os casamentos, na época da colonização, eram realizados, em sua totalidade com a opção dos nubentes, pelo regime da comunhão universal de bens. “Uma segurança para quem estava começando uma vida nova num lugar novo”, diziam.

As informações colhidas mostram, também, que os noivos, de todos os meses do ano, preferiam o mês de julho para se casarem. Os pioneiros, em seus depoimentos esclarecem que isso ocorria devido aquele mês ser o mais favorável financeiramente para as famílias porque coincidia com o fim das colheitas e a venda da produção agrícola. Já não ocorria o mesmo com o mês subseqüente, agosto. O principal motivo da realização de poucos casamentos nesse mês sempre foi atribuído ao azar e à superstição: – “Quem casa no mês de agosto, terá desgosto…”.

Assim, em agosto só eram celebrados casamentos de extrema necessidade, como por exemplo, mudança de residência ou gravidez. Nos meses de março e abril também não eram realizados casamentos porque nesse período ocorre a quaresma e as pessoas, muito religiosas, tinham muito respeito pelas ordens da igreja. Os casamentos eram realizados sempre com muita festa, com as noivas usando vestidos brancos, véus e grinaldas. A tradição maior era o bolo dos noivos.

Quanto ao trabalho, a maioria dos moradores homens tinham como profissão a agricultura e, em alguns casos, a pecuária, que juntas davam sustentação econômica às famílias e à pequena vila. Somente com o passar do tempo, o desenvolvimento trouxe a necessidade de novos profissionais, que aos poucos foram se integrando à comunidade, surgindo, então os comerciantes, alfaiates, motoristas, carpinteiros, professores e outros e com eles começaram a surgir as lojas, as pequenas indústrias de transformação, os hotéis, os escritórios, os cartórios, os hospitais, as farmácias, etc.

Para as mulheres não restavam alternativas e todas tinham como principal atividade os afazeres domésticos, cuidando dos filhos, da casa e ainda ajudando na lavoura, quando necessário. Essa condição doméstica não era vocacionada, mas sim imposta pelos costumes da sociedade da época, que não permitia à mulher o direito ao estudo formal que só era permitido aos homens: “Estudar não é coisa para mulher. Ela precisa saber cuidar da casa, dos filhos e do marido e só. O homem precisa saber ler e escrever e fazer contas, porque é ele quem faz os negócios”.

Foi nesse cenário de crenças, costumes, tradições, solidariedade e fé que aos poucos a selva, o isolamento e as dificuldades foram sendo vencidas e a pequena vila denominada Gaúcha, graças à coragem, sacrifícios e trabalho de seus pioneiros, transformou-se no município que hoje é SÃO MIGUEL DO IGUAÇU.

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