Um pedido antigo da população foi atendido pela prefeitura de São Miguel do Iguaçu. O lixo reciclável coletado no Município que antes era separado no meio da cidade agora está sendo selecionado na usina de reciclagem, que fica no distrito de Balneário Ipiranga.

 

O serviço era feito em um barracão pré-moldado onde os caminhões da coleta seletiva depositavam o material e ali ficava armazenado até ser feita separação de parte dos agentes ambientais. 

 

Mas o local se transformou em um problema para os moradores do bairro Sagrado Coração de Jesus que sofriam com o excesso de lixo. O mau cheiro, a grande quantidade de insetos e o perigo da dengue eram as principais preocupações de quem mora por ali. O local chegou a ser tema de reportagem de emissoras de televisão.

 

“Era só bater um vento que o lixo se espalhava, vinha parar até dentro de casa. Tinha barata, aranha, até rato se via atravessando a rua, e eram grandes. A gente não vencia colocar veneno”, conta a dona de casa Roseli da Silva, que mora em frente ao barracão.

 

Agora, a prefeitura reativou a usina de reciclagem e convidou os agentes ambientais para que passassem a fazer a separação na unidade. A usina, inaugurada em meados de 1995, estava parada há quase cinco anos. A estrutura física tem esteira de separação, 36 carrinhos de mão, prensas e local apropriado para armazenamento do material pronto para a venda.

 

A agente ambiental Maria Medeiros, que mora em São Miguel há 45 anos, sente orgulho em dizer que sua renda mais que triplicou depois que começou a trabalhar na usina. “No barracão eu não tirava mais que 11 reais por dia. No fim do mês, somava tudo e não dava pra sobreviver. Depois que viemos pra cá melhorou bastante. Eu tirei R$ 1.200,00 no primeiro mês de serviço aqui na usina,” comemora.

 

Toda a renda arrecadada com a venda dos reciclados é dividida entre os catadores que também recebem diariamente da prefeitura alimentação e transporte gratuito até a usina, localizada a 12 quilômetros da cidade.

 

“Na cidade eu ganhava pouco e tinha que ir a pé. Aqui nós temos o ônibus que trás e leva pra casa e a marmita quentinha. Antes tínhamos que comer comida fria”, lembra a agente ambiental Nadir Flor da Silva, que há três anos mora no bairro Santa Catarina.

 

Nesta semana, o prefeito Claudio Dutra foi conferir o trabalho na usina. Ele afirma que ficou contente pelos agentes terem aceitado o convite da prefeitura para trabalhar na usina onde, segundo ele, os catadores têm mais qualidade de vida e renda garantida. “A usina foi feita pra isso e aqui é o local apropriado pra este serviço. Solucionamos o problema de quem mora perto do barracão que não vai mais ter problema com barata, rato, nem sacola plástica voando pela cidade”, garante o prefeito. “Se cada são-miguelense separar seu lixo em casa, estará colaborando junto com os agentes ambientais a deixar nossa cidade mais limpa e uma São Miguel cada vez melhor”, finaliza Dutra.

 

Quem também está contente são os moradores do Bairro Sagrado Coração de Jesus que não sofrem mais com o mau cheiro nem veem o lixo voar pela rua. “Minha mãe ta ali doente, ela tem 89 anos e não aguentava o cheiro, agora ela até senta na frente de casa”, comenta Aparecido da Cunha que mora no bairro há 30 anos. A vizinha da frente diz que se preocupava muito com a idosa, por medo de que ela contraísse o vírus da dengue. “Não dava pra sentar na sala de tanto pernilongo que tinha, nem de dia nem de noite. Até comentei com meu marido que agora não tem mais mosquito”, lembra a moradora que pediu para não ter o nome divulgado.

 

Hoje, 28 famílias de catadores sobrevivem da renda gerada da separação do lixo na usina de reciclagem de São Miguel do Iguaçu.

 

 

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO


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